Fui fotojornalista do E. de São Paulo durante um tempo em meados de 2002/04, também era fotógrafo de provas de rally, mas, depois da “crise” das fotos digitais e photoshop terem se instalado nos jornais e outros meios, mudei de profissão e fiquei um tempo sem câmera até.
Depois de voltar a ter aquários experimentei fotos com uma DSC W70 compacta da Sony e agora voltei com uma Canon EOS 400D.
Independente disso, com qualquer tipo de câmera, você poderá tirar excelentes fotos do seu aquário!
Antes de falar dos equipamentos em si, vale ressaltar que, como em tudo em aquariofilia, você precisa aprender um pouco mais. E para as fotos, a Macrofotografia é o que vale.
Claro, o campo da Macrofotografia é muito extenso, vou tentar separar aqui, em minha opinião, o que vale para nossos aquários.
Profundidade de campo x distância em centímetros x objeto x diafragma x velocidade
01 – Profundidade de campo:
Visa definir qual objeto pertence ao plano central do foco (central não quer dizer que você tenha que centralizar o peixe na foto hein!, alias, componha sempre dando preferência pelas laterais, nunca pelo centro), o objetivo da sua fotografia, e quais objetos devem ser secundários. Objetos mais próximos (em primeiro plano) ficam mais nítidos que os demais (em segundo plano).
Resumindo, pegue seu peixe preferido e de maior atenção a ele na hora de tirar a foto. Essa profundidade de campo vem com uma abertura menor do diafragma, aqueles números f2.8, f4.8, f5.6, f6.2 que aparecem em qualquer visor de câmera. Quanto menor for a abertura, maior será sua profundidade de campo.
Para obtermos a máxima profundidade possível, é preciso trabalhar com a menor abertura possível do diafragma.
Quanto mais fechado o diafragma, menos luz temos entrando pela lente.
02 – Distância do objeto:
Dois motivos, primeiro, toda lente tem uma distância mínima de foco, 50 cm, 1m e por ai vai. Não adianta puxar o zoom no máximo e tentar tirar a foto sem respeitar essa distância, pois o ponto de foco da câmera pode errar na hora de focalizar e dar destaque à pedra e não ao seu lindo cascudo tigre do lado dela, ou simplesmente borrar tudo.
Por exemplo, se, em sua compacta digital ou slr, ou dslr, a distância focal da lente é de 15 cm e você quer preencher todo o quadro com seu peixe e ainda esta muito longe do objeto, recue 30 cm e “puxe” o objeto no zoom até o limite do zoom óptico (nas compactas, se ultrapassar os limites do zoom óptico e utilizar o zoom digital, pior ficará a nitidez do objeto da foto. Zoom digital “emula” zoom óptico – to bad) e bata a foto. Repita esse processo com bastante calma até achar o ponto certo e tirar a foto que você queria.
Segundo: o lado negativo de se trabalhar com aberturas maiores é que uma quantidade maior de luz adentra ao sensor da câmera, ou seja, qualquer movimento muito brusco acarreta borrões nas fotos. Vou falar mais sobre isso abaixo.
Quem possuir uma profissional, as lentes teleobjetivas ajudam um bocado. Ou alguns modelos de lentes 105-300mm,70-200mm etc você poderá ficar mais distante do aqua, gerando menos movimento e podendo “puxar” mais o zoom, sempre aguardando que o peixe fique o mais próximo do vidro possível para evitar também a distorção gerada pela água.
03 – Tipo de objeto:
Um Disco, por exemplo, tranqüilo, na boa. Já um Tretra Buenos Aires, rápido igual uma bala, o bicho nunca para! Na hora de fotografar seu aqua, o nível de paciência exigido vai depender do peixe que você quer fotografar.
Procure tirar suas fotos a noite! Acenda a luz do aquário e deixe todo o resto na mais completa escuridão, espere alguns minutos e comece a bater as fotos. Tente não ficar muito próximo do aqua para que os peixes não percebam sua movimentação. Ou fique alguns minutos sentado de frente ao aqua para que eles se “acostumem” com a sua forma se destacando na escuridão.
Evite o flash e bata as sempre em ângulos mais perpendiculares para evitar a distorção da perspectiva proporcionada pela superfície de vidro.
04 – Diafragma:
O diafragma, responsável pela profundidade de campo, define quanta luminosidade entrará pelo sensor para compor o objeto, quanto menor o número, maior a quantidade de luz. E maior será a paciência até tirar uma foto legal, pois os movimentos tendem a borrar o objeto, mas tem um limite de movimentação que pode ser tolerada, ai vai de equipo para equipo.
05 – Velocidade:
A velocidade pode ser representada por números como 20, 60, 125, 250 etc. É a divisão de 1 segundo sobre o valor. Esse será o tempo em que a luz será capturada pelo diafragma. Com boa luminosidade e sem ângulos diretos ao aqua, ou numa distância confortável, um peixe veloz, por exemplo, pode ser fotografado com f 5.6 sobre 1/125 ![]()
Resumindo:
Ou você pode tirar a foto com uma abertura maior e um tempo de exposição menor ou com uma abertura menor e um tempo de exposição maior.
Sobre as compactas digitais:
A maioria das câmeras digitais de hoje possuem o recurso Macro, designado pela imagem da “florzinha”, basta selecionar o modo de foto, a opção de macro e respeitar a distância mínima da objetiva (lente).
Se sua câmera for daquelas compactas digitais, leia seu manual e saiba quais são suas vantagens e limitações, sabe aquele carrossel de opções com várias imagens onde você pode escolher fotos de velocidade, retratos, noite, retrato noite, paisagem? Pois bem, eles determinam pré-configurações de abertura, velocidade e até filtros para reproduzirem o efeito certo na fotografia. Porém, a maioria das pessoas não gosta de usá-las, pois as fotos não saem boas, tremidas etc. Isso é uma limitação do equipamento, por serem compactas, não da pra inserir um diafragma ou obturador potente, muitas dessas funções são interpretadas por sensores e um processador central de imagem, ou seja, o efeito é “emulado”, e tudo que é emulado é mais lento! Então tenha paciência com sua pequenina que os resultados vão ser obtidos.
Isso vai variar muito de câmera viu, nas Sony, por exemplo, com o modo manual, você pode definir a abertura, a velocidade e o iso.
Outros cenários:
Se você tentar fotografar com uma abertura do diafragma menor e uma velocidade maior, você terá pouca luz sendo processada pelo sensor, ai você poderá também definir um ISO (equivalente a uma maior sensibilidade à luz) maior. De 100 para 400, por exemplo. Porém, aumentar a sensibilidade do sensor pode provocar granulação na foto, ou seja, mais tempo no tripé, a menor movimentação possível e muita tentativa e erro.
Você pode usar um flash também, porém, com os flash embutidos você terá um problema com a superfície reflexiva do aqua, gerando clarões ou distorções. Ai você irá precisar daqueles flashes externos e posicionados indiretamente ao aqua.
Quanto mais luz indireta você tiver disponível melhor. Digo indireta, pois, como disse acima, o aquário em si deve estar bem iluminado, não a sala.
Mais algumas dicas*:
.Limpar bem os vidros, por dentro e por fora;
.Deixar a câmera armada no tripé à frente do aquário por 1 ou 2 horas antes da sessão de fotos, para que os peixes se acostumem.
.Usar roupas pretas ou escuras;
.Se possível, adaptar um escudo preto (feito de papel cartão preto), deixando apenas a lente passar por um orifício;
• É preciso ter uma iluminação bem mais forte (tenho usado uma luminária com lâmpada HQI), pois:
.A água age como um filtro de luz;
.Os peixes são sempre muito ariscos e rápidos e precisamos trabalhar quase sempre em altas velocidades de obturação e, na medida do possível, com a menor abertura de diafragma possível.
• Backgrounds escuros (preto, azul escuro ou cobalto) no aquário ajudam a melhorar as áreas de contraste e enfatizar a cor dos peixes e plantas.
.Obrigatoriamente o assunto deverá estar bem próximo ao vidro, pois a distância focal é mínima, além da milimétrica profundidade de campo;
.É essencial o uso de tripé, pois qualquer tremida será fatal;
.Por vezes é necessário o uso do controle remoto (ou timer de disparo), pois até o movimento do dedo acionando o disparador já prejudica o foco;
• Por fim, as três dicas mais importantes… Paciência! Paciência! Muita Paciência!
Em cada sessão de 3 a 4 horas, com uns 100 a 200 disparos, conseguimos apenas 3 ou 5 fotos boas e uma meia dúzia de fotos razoáveis… O resto pode deletar na câmera mesmo!
*Deste ponto eu editei algumas coisas, mas o texto original é de Alex Kawazaki.





